Transição capilar - Os meus cabelos sofreram bullying!



Como partilhei aqui, fiz alisamento durante vários anos e há cerca de sete meses decidi deixar de o fazer, motivada por uma maior aceitação de quem sou e, consequentemente, a procura por uma vida mais autêntica e feliz.

Fazer a transição capilar tem exigido paciência e dedicação diária para retirar a química e recuperar o ondulado natural do meu cabelo. Mas tem valido a pena. A cada dia que passa gosto mais dele, porque procuro, em vez de tentar domá-lo, aceitá-lo.

Não fosse este processo de transição capilar e auto-aceitação desafiante o suficiente, hoje, os meus cabelos sofreram bullying!

Fui pela primeira vez ao cabeleireiro, depois de ter decidido não fazer mais alisamento. Por conveniência, fui também pela primeira vez aquele cabeleireiro em que questão (e provavelmente a última).

Objetivo: cortar as pontas espigadas.

A menina que me atendeu perguntou o que eu pretendia fazer, ao que respondi que era apenas cortar as pontas, pois tinha deixado de fazer alisamento e, como o cabelo ondulado "encolhe" seco, achava sensato deixá-lo longo (apesar de sempre ter preferido cortes curtos).

A menina concordou com o pedido e começou a trabalhar.

E foi aí que começou o bullying capilar.

Primeiro, começou a perguntar porque razão ia eu deixar de fazer alisamento, ao que eu respondi calmamente que não me apetecia mais e queria ter as ondas naturais do meu cabelo de volta. Ela assentiu com a cabeça, nada convencida com a minha resposta.

Lá cortou o cabelo e depois perguntou se queria fazer brushing. E eu respondi que não, que queria só secar.

Foi a primeira vez que pedi para me secarem apenas o cabelo e não esticá-lo. E fiquei muito orgulhosa de mim mesma, por me ter mantido fiel ao meu processo de auto-aceitação.

A menina começou a secar e, timidamente perguntou, "Posso só arranjar-lhe um bocadinho à frente?" e eu, "OK". Quando dei por mim estava a esticar-me o cabelo todo. Como se não bastasse, ainda resmungou "Já estou a esticar mais do que devia, mas pronto". Bolas, estava a esticar porque queria, não lhe tinha pedido nada!

É verdade que o meu cabelo não estava a ficar nada bem seco, mas porque será? Talvez porque utilizar um secado em potência máxima e um acessório para alisar, não seja o mais apropriado. Até eu sei o básico dos básicos: para secar cabelos ondulados utiliza-se difusor!

No fim, não fiquei com o cabelo nem liso nem ondulado. Ficou liso em cima e ondulado em baixo (facepalm). E nem usou um sérum para hidratar e diminuir frizz e volume.

O que mais me chocou nesta situação é que supostos profissionais não têm capacidade para cuidar de diferentes tipos de cabelos. E, acreditem, ao longo da minha vida já tive várias experiências destas, em que me diziam que o melhor era esticar. A diferença é que na altura acreditava que o meu cabelo era feio e que tinha de ser domado. E isso é triste.

Esta experiência de "bullying capilar" fez-me perceber como passamos a vida a tentar ser colocadas em redomas, e como se perpetuam estereótipos ridículos.

A beleza está na diversidade, na singularidade de cada uma de nós. Em todos os pequenos detalhes que nos distinguem uma das outras.

Felizmente hoje tenho outra consciência e respeito por mim mesma. E
escusado será dizer que estou mortinha por voltar a lavar o cabelo e ter as minhas ondas de volta ;-)

Photo by Tim Mossholder on Unsplash

Comentários

  1. Foi como referiste, os estereótipos são usados para definir as pessoas e quem tentar sair dessa redoma é obrigado a lidar com situações nada agradáveis. Comigo é por causa das sobrancelhas: quando vou a uma cabeleireira perguntam-me quase sempre se quero "arranjá-las" e às vezes insistem imenso. Nem têm noção que estão a ser mal-educadas.

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    1. #estamosjuntas Mel. O processo de auto-aceitação já é difícil por si só e estas situações em nada ajudam! Temos de ser fortes e repetir para nós mesmas que é a nossa singularidade que nos torna especiais, right? Beijinhos!

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  2. Infelizmente já sofri isso. Sinto sempre imensa dificuldade em confiar em cabeleireiras! Costumo deixar sempre bem claro o que quero e como quero umas 20 vezes antes de chegar ao corte, e estou sempre atenta, não "vá o diabo tecê-las" :)
    Espero que não tenhas outra experiência dessas e que o teu cabelo continue lindo e saudável <3

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    1. Então sabes bem do que falo. É bullying e é horrível! Não vou dizer que a dúvida não me subsiste de quando a quando, mas felizmente, estou a ser mais forte e a manter-me fiel ao meu verdadeiro cabelo.
      Quanto ao cabeleireiro, infelizmente, ando à procura de um :(

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  3. O processo de se aceitar pode ser tão complicado... e as pessoas não ajudam em nada nisso. Mas quando começamos não tem mais como parar. Vamos que vamos, querida <3

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    1. Sim, é mesmo complicado, porque conseguimos ser as nossas maiores críticas (por mais cliché que seja, é mesmo verdade!). Mas é bom saber que somos cada vez mais a caminhar por uma vida mais autêntica e feliz... estamos juntas :)

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