5 razões para te desapegares de bens materiais, por Mafalda de It’s (not) so simple!

E depois do convite feito pela Mafalda em escrever um post no blog dela (podes lê-lo aqui), sugeri que trocássemos de papéis e que fosse ela a escrever um para o meu. Deixei nas mãos da Mafalda a escolha do tema e o resultado foi fantástico. Obrigada!

Se também quiseres escrever aqui no blog sobre um tema que gostem e que de alguma forma vá ao encontro do tema nuclear (felicidade) entrem em contacto para o email seraindamaisfeliz@gmail.com
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5 razões para te desapegares de bens materiais


Durante os primeiros 32 anos da minha vida eu achava que ter muita coisa era bom.

Influenciada pela nossa sociedade, por aquilo que a comunicação social transmite (“impinge” seria um termo melhor…), era levada a pensar que só seria verdadeiramente feliz quando tivesse 20 pares de calças no meu roupeiro, de si já atafulhado, se tivesse um Tablet, se perdesse 25 quilos, ou se pudesse fazer férias em destinos paradisíacos duas vezes por ano.

Durante todo esse tempo, vivi convencida de que ter mais era sempre a melhor opção: 12 jogos de cama, 8 conjuntos de toalhas de banho, 6 colheres de pau, 60 tupperwares, 5 casacos de inverno, 15 cachecóis, os tais 20 pares de calças… A lista poderia ser infinda.


Um dia, no entanto, tive a sorte de me deparar com um artigo sobre minimalismo e vida simples e de me sentir atraída pelo conceito. De artigo em artigo, de blogue em blogue e de livro em livro, descobri ideias e conceções que mexeram comigo.

À medida que refletia sobre estas leituras, apercebi-me de que estava a deixar o TER sobrepor-se ao SER, de que estava a “afogar-me” em bens materiais esperando redenção, sentido de vida e ficar de bem comigo própria. Tinha-me rendido ao que eu achava que a sociedade esperava de mim. Tinha tudo, mas a felicidade que eu tanto almejava não estava mais perto simplesmente porque eu conseguia comprar o que queria.

A lição que aprendi? Não deve ser apenas quantidade de dinheiro que temos a ditar a forma como vivemos a nossa vida.

E, agora que via uma luz no fundo do túnel, tinha de continuar a escavar!

Um dia pus mãos à obra e comecei aquilo que tem sido uma grande e prazerosa aventura, uma enorme aprendizagem sobre mim e sobre a vida e, sobretudo, uma lição que quero guardar para o resto dos meus dias: não são os objetos que tenho, ou que poderei vir a ter, que me farão mais feliz.

A felicidade está em mim, naqueles que amo, na saúde que tenho e na minha capacidade para ver o que me rodeia e o que me acontece com olhos positivos, curiosos e sedentos de aprendizagem.

A que aventura me refiro? Destralhar para simplificar!

A palavra “tralha” refere-se a bens inúteis, bugigangas ou bibelots. Tudo o que está a mais e não tem utilidade prática na nossa vida: roupa que não vestimos, utensílios que estão apenas a ganhar pó nos armários e nas gavetas, artigos que deixámos de usar e que enviámos para a arrecadação para nunca mais nos lembrarmos deles, etc., etc. Todos temos, algures, a nossa dose de tralha.

Estendo igualmente o conceito a afazeres que pesam na nossa agenda, a rotinas sem sentido e a obrigações que nos trazem tremendos desconfortos… Sabes do que falo, não é?

Livrar-me dos excessos, ou seja destralhar, é algo que, de há 4 anos para cá, faço com muita frequência.

No início, foi trabalhoso: afinal, estava a lidar com 32 anos de objetos, recordações e imenso lixo! Tive de tomar decisões, ponderar, avaliar, separar, dar, doar, reciclar, vender. Fiz várias viagens até instituições de caridade, contentores de bens usados ou de artigos para reciclar. Investi tempo a vender alguns bens e a trocar, ou oferecer, outros.

Por que o fiz? Porque, para mim, era importante sentir que aquilo que eu tinha passado grande parte da vida a guardar e a acumular teria ainda uma utilidade. Simultaneamente, não queria viver com a culpa do meu consumo irresponsável, da minha falta de consideração para com o nosso planeta ao desperdiçar recursos preciosos. O pensamento de que aqueles bens poderiam ter uma nova vida, libertava-me um pouco por dentro.

Todos os meus destralhamentos, maiores ou mais pequenos, têm valido a pena: liberto o meu espaço, a minha vida e a minha mente do que já não me faz falta.

Em troca, ganho liberdade, tempo e paz. Pelas coisas que tenho dado, ou doado, fica um sentimento muito positivo de contribuição.

Atualmente, destralhar é uma das minha atividades favoritas: a sensação de leveza que fica comigo é inexplicável. Ver a minha casa mais arrumada, mais desafogada e saber que tenho menos objetos pesar-me e a ocupar-me é muito libertador. Fico com mais tempo para mim e para estar com os meus. E o meu cérebro também beneficia: menos stress, menos preocupações e mais sossego.

No entanto, a principal vantagem é uma maior aceitação de quem sou e daquilo que verdadeiramente quero ser. E isso, para mim, é felicidade!

Então e tu? Precisas de bons motivos para praticares o desapego e livrares-te da tralha?

Aqui ficam 5 razões te desligares de objetos inúteis:

1- A felicidade não está nas coisas. Está em ti!

Vivemos numa era cheia de complexidades. As sugestões de consumo são uma constante: TV,imprensa escrita, outdoors e redes sociais “bombardeiam-nos” em contínuo com publicidade que nos faz sentir inadequadas. A nossa mente, habituada ao que julga que a sociedade espera, faz comparações permanentes entre nós e as pessoas que nos rodeiam. Na nossa cabeça, formam-se imagens e criam-se necessidades depois de termos uma determinada conversa, ou de lermos algo. Imersas neste ambiente, é fácil pensar que há algo que nos falta e que, sem isso, jamais seremos felizes: um telemóvel de última geração, os sapatos mais caros da sapataria, um carro novinho em folha…

No entanto, lanço-te o desafio: pensa na última aquisição que fizeste achando que seria a chave da tua felicidade. Passada a novidade dessa compra, como te sentes realmente? Como antes, não é?

Assim, em vez de transferires os teus sentimentos para um qualquer objeto, usa essa energia para analisar o que te vai dentro e decidir o que podes fazer em vez de comprar: dar um passeio à beira-mar, fotografar o pôr-do- sol, assistir a uma peça de teatro divertida com os teus amigos e rir a bom rir, relaxar num banho de espuma, juntar os que mais amas à volta de uma mesa e partilhar uma boa refeição caseira. Idealiza uma experiência simples e desfruta do prazer que esta te trará. A tua satisfação e as boas recordações são garantidas!

2- Dar, ou doar, resulta em felicidade.

Há felicidade em sentir que se contribuiu para ajudar alguém que precisava de algo que tu não usas. Saber que aquela camisola que nunca chegaste a vestir pode aquecer alguém num dia frio é compensador. Pensar que o carrinho com o teu filho já não brinca ainda pode trazer muitas horas de alegria a outra criança enche o nosso coração. Não precisamos de tanto. E há sempre quem precise de algo: dá, ou doa, o que já não usas. É responsável. É caridoso. É recompensador!

3- Menos objetos para cuidar = Mais tempo livre para o que quiseres

Se tiveres menos objetos na tua vida, terás de passar menos tempo a cuidar deles. Isso quer dizer que ficas com mais tempo disponível para fazer outras atividades do teu agrado e que te podem fazer sentir preenchida: escrever um livro, fazer exercício, pintar, brincar com os teus filhos… O tempo é sempre a moeda mais preciosa. Ou, como disse Benjamin Franklin, “Tempo perdido é tempo jamais reencontrado.”

4- Abrir espaço para o que realmente importa vai ajudar-te a crescer como pessoa

Quando libertas as tua vida e abres espaço para ti, para o que sentes, para o que vai dentro de ti, ganhas uma noção diferente daquilo que és, do que valorizas, e, acima de tudo, do que queres para ti e para a tua vida: maior crescimento pessoal, mais conhecimento, mais experiências positivas, mais amor, mais compaixão, mais momentos inesquecíveis com os que amas. Cada objeto, ou tarefa, que removes traz consigo uma panóplia de possibilidades que não conseguias contemplar à partida. A leveza que essa despreocupação representa pode libertar-te para os mais altos voos. You go, girl!

5- A tua liberdade não tem preço, mas vender algumas coisas pode ajudar-te a ser ainda mais livre.

Alguns de nós têm dívidas: eu tinha um empréstimo habitação. E não gostava desse sentimento de prisão, a sensação de que o banco tinha poder sobre mim, sobre a minha vida, sobre as minhas escolhas. Não gostava da responsabilidade de ter uma despesa fixa mensal, do frio na barriga quando pensava na hipótese de não ter dinheiro para fazer face a esse encargo.


Libertar-me de tralha, ver o quanto tinha gasto desnecessariamente e aperceber-me do potencial de poupança inerente, fez-me perceber que podia saldar a minha dívida muito mais rápido. Vender alguns bens (como telemóveis antigos, material informático sem uso, artigos que os meus filhos já tinham deixado de usar, etc.) permitiu-me poupar para pagar a minha dívida mais depressa. Sem a mentalidade consumista de antes, pude também cortar em
despesas supérfluas (dispensando serviços que não usava, ou renegociando seguros, por exemplo). Livrei-me da dívida que me pesava e desconcertava e recuperei a minha liberdade!




Creio que Will Rogers sumariou tudo isto na perfeição: “Demasiadas pessoas gastam dinheiro que não ganharam a comprar coisas que não querem para impressionar pessoas de que não gostam.”

Espero ter conseguido ajudar-te a pensar nas tuas posses de uma outra forma e a tomar a decisão de começar a remover os excessos da tua vida, permitindo que possas começar a procurar a felicidade no local certo: dentro de ti!

Valoriza mais o que te vai dentro e menos os objetos que te rodeiam!

Caso queiras ler mais um pouco sobre temas como este, passa pelo meu cantinho (www.itsnostsosimple.com). Será um prazer ver-te por lá!

Não quero terminar sem agradecer à Sofia o convite para escrever para o Ser Ainda Mais Feliz, espaço de que tanto gosto e onde me senti tão em casa. Sofia, faço votos de que continues a ser para nós uma grande fonte de inspiração na nossa caminhada feliz.



Imagem: Cedida pela Mafalda

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Comentários

  1. Que post tão bom!
    Não tenho exatamente a mesma posição, porque as coisas fazem-me feliz. Sinto-me feliz quando compro uma peça de roupa bonita e quando a visto, quando descubro um top que já não usava e percebo que voltei a gostar dele, quando folheio um livro que li há anos e releio as passagens que sublinhei. Mas não concordo com comprar apenas por comprar, e sei por experiência própria que a tentação de ter só porque podemos é grande. Estou a lutar contra esse impulso consumista neste momento, uma vez que comecei o meu primeiro emprego. Às vezes dou por mim a pensar em coisas para comprar, quando na realidade não preciso de nada daquilo :)

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    1. Olá Nádia.
      Obrigada pelo teu comentário :)
      Por vezes também me apanho a pensar "ah, seria giro ter esta coisa assim e assim". Mas, depois, penso um pouco melhor sobre isso e percebo que ter esse objeto não me faria assim tanta falta e, acima de tudo, não iria fazer de mim uma melhor pessoa.
      Apesar de ter tomado uma decisão consciente de simplificação, destralhar com muita frequência e fazer os possíveis (às vezes até os impossíveis...) para não deixar a tralha entrar na minha vida, ainda tenho objetos que considero inúteis e dos quais tenciono libertar-me.
      Por outro lado, há outros sem os quais não poderia viver e há coisas que, pela sua utilidade, me fazem feliz. Por isso percebo o teu ponto de vista.
      No entanto, aquilo que me comecei a aperceber é de que não há objeto nenhum, por muito que me seja útil, ou que eu goste dele, que consiga fazer de mim mais feliz: sinto a adrenalina da aquisição, a alegria da posse, mas, passada a novidade, tudo está como antes. E isso era algo que antigamente eu não compreendia: achava que o facto de ter algo novo iria mudar a minha pessoa, tornar-me melhor.
      Por isso, pratico agora o desapego. O que tenho e me é útil, mantenho. O que se provou inútil, segue para uma nova vida :)

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    2. Olá Nádia!
      Eu acredito e sou apologista do equilibrio das coisas e, neste caso específico, sou apologista do consumo consciente.
      Muitas das coisas que consumimos acabam por ser apegos emocionais e tem de partir de nós perceber se estamos a consumir por consumir ou se aquilo é mesmo importante e essencial para nós. Aprender a diferenciar estas duas atitudes em relação ao consumo é um passo importante para uma vida mais feliz!
      Beijinhos :)

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  2. Olá Sofia!! Tanto tu como a Mafalda estão de parabéns!! Tu pela tua iniciativa e a Mafalda pelas palavras que escreveu. Concordo tanto com elas. Tenho trabalhado bastante o desapego e é incrível como é libertador quando o praticamos. Beijinho enorme às duas💗

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    1. Obrigada Catarina. Sem dúvida que o desapego é um desafio constante numa sociedade que nos impinge exactamente o contrário. Mas que é libertador, lá isso é :) Beijinhos

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  3. Beijos, Catarina.
    Obrigada pelas tuas palavras sempre tão encorajadoras :)

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  4. Fantástico Sofia :) Adorei este post, como gosto imenso dos posts da Mafalda :) E também dos teus :) Vocês estão de parabéns :)
    Este tema interessa-me imenso, até porque ando na "fase" fantástica do destralhar e tenho tido efeitos espetaculares em mim e na minha vida :)
    Por isso daqui levo, mais uns ensinamentos :)
    Beijinhos às duas ;)

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    1. Queremos saber mais dessa tua aventura de destralhe Sandra :)
      E sim, há sempre mais para saber, e a Mafalda tem muito para partilhar sobre o assunto!
      Beijinhos*

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