O dia em que desisti de procurar ser feliz


Ao longo destes 6 meses tenho escrito sobre a felicidade. As partilhas que fui fazendo aqui surgiram a par e passo da minha própria descoberta. Porque queria mesmo ser mais feliz, sentir-me mais preenchida e realizada. A vontade era tanta que não percebi que, muitas vezes, estava a forçar um estado que deve surgir por si mesmo.


Percebi que procurar pela felicidade não traz felicidade. E ao perceber isso desisti de procurar ser feliz.

O dia em que desisti de procurar ser feliz

Alguns episódios na minha vida deixaram-me bastante céptica em relação à felicidade. E sentir isso fez-me pensar, entre outras coisas, em desistir de escrever o blog – afinal, qual a razão de escrever sobre algo que questiono? Sentia-me uma pequena fraude que apregoa a felicidade e se sente tantas vezes infeliz. E esta é a verdade: sinto-me muitas vezes infeliz, triste e perdida.

Então, perguntas-me: porque estás a escrever este post?

Porque no dia em que desisti de procurar ser feliz, foi o dia em que mais aprendi sobre a felicidade.

Eis o que aprendi: é bom procurares ser mais feliz, mas não te prendas demais às dicas, exercícios ou atalhos para a felicidade, pois acabas por condicioná-la. Há que deixar espaço para a felicidade simplesmente acontecer, sem estares sempre a pensar nela como um objectivo.

A partir do dia em que desisti de procurar ser feliz, a felicidade recomeçou a encontrar-me na sua forma certa de ser. Talvez porque deixei de insistir nela.

Imagem: Visualhunt.com

Comentários

  1. Olá Sofia, que giro teres chegado a essa conclusão.
    Uns dos truques é mesmo deixar espaço para a felicidade acontecer, como bem disseste. Quando se faz da felicidade um objectivo a atingir, isso acaba por condicionar todo o processo, pois põe-te uma pressão em cima, que não é nada boa. Apenas te vai dar stress, não felicidade.
    Além disso, a felicidade é uma sensação, um apreciar do que se tem e o que se pode fazer é percorrer primeiro o caminho do autoconhecimento, para saber o que nos faz felizes e fazer por atingir esses objectivos.
    Cada pessoa tem a sua própria felicidade, as coisas que nos fazem felizes podem não ser aquilo que faz os outros felizes e isso é uma busca interior e pessoal.
    Agora podemos falar de uma procura da serenidade, da vida relaxada, do fugir do stress, do não quebrar às pressões do dia-a-dia e isso sim pode ser comum à maioria das pessoas.
    Mas não acabes com o blogue, só porque tens dúvidas. Este é um bom espaço para colocares as tuas questões e partilhares as tuas descobertas. Só se escrever te fizer infeliz, aí sim.
    Espero que continues o teu caminho para uma vida plena, sem te pressionares demais.
    Beijinhos :*
    Catarina H.
    https://ecologicaquem.blogspot.pt

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    1. Querida Catarina,
      Muito obrigada pelas tuas palavras, tocaram-me muito. Apesar das dúvidas existenciais, não pretendo acabar com o blog, apenas ganhei uma nova perspectiva sobre o que é a felicidade.
      Beijinhos enormes!

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  2. Acabar com o blog?!?! Nem pensar!
    Há um pensamento que começa a ser clichê por repetir-se tanto em tantos contextos. Está quase marginalizado. Contudo, pára e medita sobre:
    A vida não são a chegada à meta dos nossos objectivos, mas sim o percurso que também fazes para lá chegar.
    Precisas da incerteza, da tristeza e até da dureza para perceberes o que te faz bem e o que não faz. Foi ao procurar que percebeste que não encontravas.
    Continua a escrever o blog, continua a meditar, a procurar das maneiras que te forem mais favoráveis, mas não desistas de nada!
    Www.cronicasporanagui.wordpress.com

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    1. Querida Ana,
      Ponderei parar de escrever o blog num pico de dúvida e cepticismo. Mas pouco tempo depois percebi que a felicidade não é estar sempre feliz e, muito menos, procurar sê-lo de uma forma programada. E que os momentos desafiantes são igualmente (senão mais!) importantes, porque também aí a caminhada de ser mais feliz está a acontecer.
      Por essa razão continuei, continuo e continuarei a escrever, porque momentos bons e maus, todos eles fazem parte desta viagem.
      Um beijinho e obrigada pela força!

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  3. Desculpa os erros do meu comentário. Escrevi muito à pressa... :s

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    1. quem me dera escrever tão bem à pressa :) por isso gosto de ler as tuas crónicas (tens um dom)! Bjs

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  4. E chegaste a uma brilhante conclusão :) É mesmo isso, seguir as dicas (e as que aqui colocas são óptimas sim!), mas também deixar espaço para a espontaneidade, pois essa felicidade inesperada é sem dúvida a melhor! Além disso se tu própria estivesses sempre feliz (ou seja não tivesses dias infelizes como dizes) nem valeria a pena escreveres sobre felicidade, afinal já sabias tudo mas ao mesmo também não tinhas o que partilhar com os outros, pois estando sempre feliz como irias compreender os outros que estão tantas vezes infelizes?
    Bem espero não ter sido demasiado filosófica!
    E não acabes com o blog por favor! :)
    Beijinhos*

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    1. A felicidade tem muito que se lhe diga; todos nós queremos ser mais felizes, mas não é nada bom forçá-la. A felicidade simplesmente acontece, não é um fim, não é um objectivo, é apenas uma forma de ser. E sendo mais nós mesmos, somos inevitavelmente mais felizes!
      Mas há que aceitar a nossa condição humana: somos feitos de bom e mau, momentos altos e momentos baixos.
      Eu não diria filosófica mas antes inspiradora :)
      Beijinhos!

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  5. Acredito :) Nós e as nossas manias de queres forçar as coisas :)
    A felicidade está em nós e depende somente de nós próprios :)
    Beijinhos e sê feliz :)

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  6. Não conhecia o teu blogue, mas adorei. Gosto muito deste texto (=

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    1. Olá Sofia!
      Obrigada e espero ver-te por aqui mais vezes :)
      Beijinhos!

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