Sofres do síndrome de ermita do amor?


Somos meninas e a nossa referência de amor são os os contos de fadas da Disney. Tornamo-nos adolescentes e sonhamos com os finais das comédias românticas. Já adultas, concluímos que a vida a dois não fica permanentemente no estado de "viveram felizes para sempre" e que nem sempre o amor vence todos os obstáculos e termina com um longo beijo debaixo de chuva.

Esta conclusão dá início a uma nova fase que, na maior parte das vezes, não sabemos aproveitar da melhor maneira. 

A verdade é que temos tendência a viver entre extremos. Deixamos o extremo de viver na ilusão de um amor fantasioso de infância / adolescência para passarmos para um outro onde, mais uma vez, o amor verdadeiro tem dificuldade em existir.

Somos jovens mulheres que passam a viver com os conceitos de empowerement, femininismo e individualidade exacerbados. Faço questão de sublinhar o exacerbados, porque acho que eles são, na sua génese, maravilhosos e valiosos na nossa vida.

Mas passamos do cenário idílico de pensar que existe um "príncipe encantado" que será a solução para todos os nosso problemas, para um outro em que acreditamos que temos de nos bastar.

Para seres feliz com alguém, tens de estar 100% feliz contigo mesma.
Nunca coloques a tua felicidade nas mãos de ninguém.
A relação mais importante que tens é contigo, porque é a única relação que se mantém para toda a vida.

São frases como estas que, geralmente, são mal interpretadas e vivenciadas de forma extremista. E é muito importante entender que, tanto a visão de "conto de fadas" como a de "plena auto-suficiência" são extremistas.

Somos seres sociais e emotivos e, como tal, precisamos das relações para ser felizes.

Claro que é crucial termos auto-estima, amor próprio e capacidade de vivenciar a felicidade por nós mesmas. Mas é igualmente importante aprender a integrar esse caminho solitário com o que fazemos com outras pessoas. Só assim deixamos espaço para experenciar o verdadeiro amor, só assim existe capacidade para uma real e profunda entrega.

É preciso estar atenta, ter muito cuidado para não passar do síndrome de princesa pateta para o de ermita do amor.

Sobretudo nós mulheres, que estamos a passar por dois tipos de pressão nos dias que correm: por um lado, dizem que nos devemos casar e procriar, por outro, dizem que devemos ignorar o que a sociedade diz e sermos mais nós. E entre o que se diz e desdiz, ficamos sem saber o que fazer. E damos por nós a viver uma espécie de esquizofrenia nas nossas relações. E a ter medo de tudo.

Viver juntos é correr o risco de aniquilar o amor e o romance.
Estabelecer um compromisso sério vai tornar-me menos forte.
Os casos passageiros é a aposta mais segura para manter a minha liberdade.
Criar um projeto com alguém é abdicar dos meus projetos.

Encontrar o equilíbrio é a chave para evitar ou minimizar o síndrome de ermita do amor. E em caso de dúvida, o coração é sempre o melhor barómetro.

Como muitos dos meus posts focam a importância do desenvolvimento pessoal para uma vida mais feliz, acho importante partilhar que, para mim, as relações também desempenham um papel essencial. Aliás, acredito e defendo que a real felicidade só é possível quando existem relações profundas e com significado.

Como é dito num dos filmes que mais adorei ver, "Happiness is only real when shared". 

Photo by Mikael Kristenson on Unsplash

Comentários