Como é que eu me tornei na minha prioridade

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Já partilhei em posts anteriores (aqui e aqui) que uma das grandes aprendizagens de 2017 (e da minha vida) foi tornar-me na minha prioridade.

Na teoria, isto parece ser algo tão simples quanto lógico: afinal, convivemos connosco todos os dias. Mas na prática, a teoria é outra. 

Tornarmo-nos na nossa prioridade é um processo difícil, que nos obriga a derrubar barreiras e pré-conceitos.

Eis como eu consegui fazê-lo.

O primeiro grande passo deu-se quando sai de casa dos meus pais. 

Viver sozinha e criar o meu ninho "obrigou-me" a olhar para dentro e isso levou a que começassem a germinar novas possibilidades em mim.

No entanto, apesar de ter dado este passo, em que me desvinculei fisicamente de casa dos meus pais, o vínculo emocional manteve-se. Não só com os meus pais mas com todas as minhas outras relações.

A verdade é que sempre fui uma pessoa muito dedicada, mas considerava a essa dedicação como algo altruísta e bondoso.

Este ano percebi que essa dedicação que me tinha "auto-imposto" não só não era genuína, como demonstrava muita falta de amor próprio.

De fato, a maior parte dos atos que eu fazia eram por validação externa e não porque o meu coração realmente o pedia. Ou seja, eu fazia muita coisa para ficar bem na fotografia, mesmo que não me apetecesse.

Os meus atos de dedicação não genuínos deixavam-me cansada mas, por inconsciência minha, eu não respeitava o meu cansaço e continuava a exercê-los de forma indiscriminada (e não sentida).

Durante este ano tive uma epifania, e a meditação foi uma ferramenta que me ajudou muito a chegar a a algumas conclusões importantes.

Percebi que a minha dedicação aos outros era:
     - Falta de amor-próprio e procura por constante validação externa;
     - Uma dedicação não genuína e, como tal, eu utilizava-a para me sentir bem comigo mesma e não para realmente dar aos outros;
     - Uma desculpa para me entreter e não olhar para dentro, e ter responsabilidade na minha vida;

Depois de perceber isto, as coisas começaram a tornar-se diferentes para mim. Mas daí a tornar-me na minha prioridade, foi um processo duro e doloroso.

Afinal, todas nós, somos ensinadas desde pequenas, pelos nossos pares e pela sociedade, que devemos ser boas meninas, que devemos dar o nosso melhor em tudo e para todos. 

Temos acumulado funções e obrigações, que antes eram exclusivamente masculinas, a todas as outras que já eram nossas "por defeito". E para conseguirmos corresponder a todas as expectativas que se criam, pouco ou nada sobra para para nós.

E quando não estamos cheias de nós mesmas, pouco ou nada (de genuíno) sobra para os outros.

Pouco a pouco, foi acontecendo o desvinculo emocional que me levava a ter atos de de dedicação não genuína.

No início, tive de me auto-disciplinar para não fazer o que sempre fazia: ir a todos os eventos familiares porque sim, fazer favores sem questionar o porquê, colocar sempre as vontades dos outros à frente das minhas, e por aí vai.

Passei a questionar-me: isto é realmente importante? O que eu sinto em relação a isso? É digno para mim? É genuíno?

Ter a capacidade de tirar alguns segundos para me auto-questionar, fez com que ganhasse mais clareza sobre a genuidade dos meus atos de dedicação.

E quando comecei a contrariar os atos de sempre, claro, tive aquele medo de ser julgada, de não ficar bonita na fotografia, de não ser aquela pessoa sempre pré-disposta.

E sim, as pessoas estranharam. Mas não me amaram menos por isso. Aliás, arrisco-me a dizer que me passaram a amar ainda mais e, muito importante, ganharam um novo respeito por mim.

Afinal, ao tornar-me na minha prioridade, passei a ter um melhor relacionamento comigo mesma e isso melhorou de forma significativa o meu relacionamento com os outros.

Hoje, apesar de ainda estar em processo, já consigo dizer "não" em relação aquilo que não me é digno. E quando digo "sim" procuro estar inteira e dedicar-me com genuinidade. Em caso de dúvida, paro, respiro fundo e pergunto-me.

E tu? Sentes que és a tua prioridade? Quando dás de ti a alguém, questionas-te se aquilo é realmente bom para ti? Se é genuíno? Ou dás sem pensar? Dás porque é suposto? E o que podes fazer já hoje para seres um bocadinho mais a tua prioridade?

Photo by Brooke Cagle on Unsplash

Comentários

  1. Sofia,

    Gostei do seu post e das questões finais para reflexão.

    "Afinal, todas nós, somos ensinadas desde pequenas, pelos nossos pares e pela sociedade, que devemos ser boas meninas, que devemos dar o nosso melhor em tudo e para todos."
    O problema é que muitas vezes ao agirmos assim, deixamos algumas pessoas (com tendência à isso) mal acostumadas e até folgadas. Então, em vez de ajudarmos, estaremos atrapalhando o desenvolvimento delas.
    Por isso sabedoria, discernimento e equilíbrio são fundamentais - é o que penso.

    Abraços,

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